Autorretrato
O artista não busca a semelhança física: ele constrói sua identidade por meio da matéria, da cor e da montagem. O rosto se torna, assim, menos a representação de um indivíduo do que a de um estado interior. A sobreposição dos dois rostos pode evocar as diferentes camadas da identidade: o rosto que mostramos e o que escondemos, a aparência e a interioridade, o consciente e o inconsciente.
A obra não busca responder à pergunta “Com o que eu me pareço?”, mas sim a uma questão mais profunda: “O que se esconde por trás da imagem que dou de mim mesmo?” Ela apresenta a identidade como uma construção complexa, feita de camadas sucessivas, contradições, feridas e memória. Conhecer-se exige escavar a matéria.