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Pinturas

Óleo, acrílica, areia e suportes singulares constroem superfícies entre abstração, paisagem mental e questionamento ecológico.

Automatismo — Pincel, tinta a óleo e areia misturados — Arnaud Caron (Artno)

Automatismo

MateriaisPincel, tinta a óleo e areia misturados
Dimensões30 × 30 cm
TipoMóbile

A obra interroga o lugar do artista no processo de criação, confiando parte do gesto pictórico a uma força natural: o vento. Posto em movimento pelas correntes de ar, o pincel produz traços imprevisíveis, transformando o vento em um verdadeiro agente e deixando que a natureza conclua a obra. O vento adquire uma escrita própria.

Ao abandonar simbolicamente seu pincel ao vento, o artista levanta, por fim, uma questão essencial: quem é realmente o autor da obra, aquele que idealiza o dispositivo ou a força natural que produz o gesto?

Incubadora 1 e 2 — Poliestireno, plásticos, areia, tinta acrílica — Arnaud Caron (Artno)

Incubadora 1 e 2

MateriaisPoliestireno, plásticos, areia, tinta acrílica
Dimensões43 × 63 cm

A série desvia um objeto destinado a proteger e conter a vida para evocar simbolicamente o que a natureza carrega em si e o que a atividade humana nela introduz.

Em «Incubadora 1», apenas a areia aparece no centro dos alvéolos que remetem a um lugar de incubação. Em «Incubadora 2», a mesma estrutura permanece, mas fragmentos de plástico coloridos passam a aparecer na areia. Sua presença revela uma realidade inquietante: o resíduo já está integrado à própria matéria na qual a vida deveria nascer.

As obras são uma metáfora de nosso ambiente contemporâneo. Elas colocam uma questão sobre a herança que estamos preparando: se o plástico hoje penetra até os lugares onde a vida se forma, que mundo estamos fazendo eclodir?

Fóssil do Futuro — Plástico, tinta acrílica e areia misturados — Arnaud Caron (Artno)

Fóssil do Futuro

MateriaisPlástico, tinta acrílica e areia misturados
Dimensões26 × 20 cm

O minúsculo fragmento de plástico azul encontrado em uma praia é colocado no centro de uma moldura preciosa: é elevado à condição de fóssil da era do Antropoceno. Os resíduos plásticos que a humanidade mistura à natureza persistem, indiferentes ao ciclo natural de decomposição.

Ínfimo em tamanho, mas quase imutável no tempo, esse fragmento se torna testemunha de nossa passagem e de nosso impacto sobre o meio ambiente.

Ampulheta — Vidro, areia, tinta acrílica, tinta a óleo — Arnaud Caron (Artno)

Ampulheta

MateriaisVidro, areia, tinta acrílica, tinta a óleo
Dimensões35 × 25 cm
TipoMóbile

«Ampulheta» explora o tempo como força de transformação da obra. Concebida como um móbile, é formada por duas placas de vidro pintadas entre as quais ficam presos areia e tinta acrílica preta. Suspensa, a obra fica sujeita ao movimento e à gravidade: pouco a pouco, a areia escapa da moldura e modifica irreversivelmente sua aparência.

O título ganha, então, um sentido ao mesmo tempo material e simbólico. Como em uma ampulheta tradicional, o deslocamento da areia torna visível a passagem do tempo, mas aqui não é possível virá-la para recomeçar. A areia que escapa se torna, assim, a medida de um tempo irreversível: à medida que a obra se esvazia de sua matéria, ela se revela.

Horizon — Vidro, corda, pedra, tinta a óleo e areia misturados — Arnaud Caron (Artno)

Horizon

MateriaisVidro, corda, pedra, tinta a óleo e areia misturados
Dimensões25 × 30 cm
TipoMóbile

«Horizon» possui duas faces que propõem duas visões diferentes de uma mesma paisagem. Suspenso, o quadro gira ao sabor do vento e nunca se fixa definitivamente em uma face em detrimento da outra. O espectador vê aparecer, alternadamente, duas atmosferas, duas percepções de uma mesma realidade, mas um único horizonte.

O que parece ser um limite se torna, então, um espaço de passagem. A obra lembra que uma mesma realidade pode revelar rostos diferentes conforme o ponto de onde a observamos.

A Ilha dos Plásticos — Plásticos, areia, tinta acrílica, tinta a óleo — Arnaud Caron (Artno)

A Ilha dos Plásticos

MateriaisPlásticos, areia, tinta acrílica, tinta a óleo
Dimensões100 × 50 cm

«A Ilha dos Plásticos» simboliza uma natureza-morta, destruída pela poluição. Sob a massa escura e fúnebre aparece a areia, matéria natural original, misturada a fragmentos de plástico. A poluição já não se contenta em recobrir a natureza: ela a transforma por dentro.

A obra propõe, assim, a imagem de um território onde o acúmulo de resíduos acabou por modificar a própria natureza. O plástico se enterra na paisagem, a contamina e contribui progressivamente para seu desaparecimento.

A ilha se torna, então, o símbolo de uma natureza-morta sob o peso dos resíduos produzidos pelo homem.

Now Futur 1 e 2 — Plásticos, tinta acrílica e areia misturados — Arnaud Caron (Artno)

Now Futur 1 e 2

MateriaisPlásticos, tinta acrílica e areia misturados
Dimensões30 × 30 cm

O título «Now Futur» cria deliberadamente uma tensão entre duas temporalidades: o agora e o amanhã. O futuro deixa de ser apresentado como um tempo distante e abstrato; ele já está contido naquilo que produzimos, consumimos e abandonamos hoje.

Os quadros podem ser vistos como uma forma de arqueologia antecipada: eles nos convidam a olhar nosso presente a partir de um futuro imaginário e a nos perguntar quais vestígios de nossa civilização lhe sobreviverão.

O futuro talvez não seja o que virá depois de nós: é aquilo que já estamos deixando para trás.

Natureza 1 e 2 — Tinta a óleo e areia misturados — Arnaud Caron (Artno)

Natureza 1 e 2

MateriaisTinta a óleo e areia misturados
Dimensões40 × 50 cm

A série «Natureza» propõe uma reflexão sobre a transformação do mundo natural e sobre sua capacidade de sobreviver apesar das agressões que sofre. As duas obras podem ser lidas como dois momentos de um mesmo ciclo: a destruição e o renascimento. A matéria conserva, no entanto, os vestígios do que sofreu; o renascimento não apaga as feridas do passado.

A série expressa, assim, uma tensão entre destruição e regeneração. Ela lembra que a natureza pode ser profundamente alterada pela ação humana, mas que também possui uma extraordinária capacidade de resiliência.

Mesmo recoberta, queimada ou sufocada, a vida ainda busca uma passagem para reaparecer.

A Unidade Celeste — Vidro, tinta a óleo e areia misturados — Arnaud Caron (Artno)

A Unidade Celeste

MateriaisVidro, tinta a óleo e areia misturados
Dimensões80 × 60 cm
TipoVitral

A obra explora o encontro entre o ser humano, a natureza e uma dimensão espiritual que parece transcendê-los. Pelo jogo de formas e cores, várias dimensões se encontram simbolicamente: a terra, o homem e o céu.

As linhas coloridas que percorrem a composição desempenham um papel essencial. Em vez de separar as formas, elas as colocam em relação. As fronteiras se tornam zonas de encontro, como se cada elemento só pudesse verdadeiramente existir em relação aos outros.

«A Unidade Celeste» convida, assim, a superar as oposições visíveis. Por trás da fragmentação das formas e das cores, desenha-se a ideia de uma unidade mais profunda: o homem, a natureza e o universo não seriam realidades separadas, mas diferentes expressões de um mesmo todo.