Automatismo
A obra interroga o lugar do artista no processo de criação, confiando parte do gesto pictórico a uma força natural: o vento. Posto em movimento pelas correntes de ar, o pincel produz traços imprevisíveis, transformando o vento em um verdadeiro agente e deixando que a natureza conclua a obra. O vento adquire uma escrita própria.
Ao abandonar simbolicamente seu pincel ao vento, o artista levanta, por fim, uma questão essencial: quem é realmente o autor da obra, aquele que idealiza o dispositivo ou a força natural que produz o gesto?